A Tribuna Iguaçuana

                                                                               A Tribuna Iguaçuana

 

Tribuna Iguaçuana nem nasceu — está, já, no princípio das dores, mas ainda em gestação — e já nasce sob suspeita. Deve ser a procedência. Triste do pirralho que vem a este mundo e, desde a gênese, é-lhe negado o direito a um pai e uma mãe ! Concebida num Banquete – e em pecado, certamente – a criança, todavia, não estará em desamparo. Feito o exame de dê-êne-á, foram encontrados claros vestígios jacutingas de, aproximadamente, vinte progenitores. E, em vez de contendas sobre quem lhe dará o nome, a casa está em festa. Bem-vinda, catarrenta!

Já dizia o poeta, no entanto: “A alegria acaba, quando a tristeza começa”. Em casos dessa natureza, a tristeza coincide com a chegada da primeira pensão. Afinal, o bebê precisa do alimento e cuidado diário. E para que ela cresça e apareça é necessário a colaboração de todos. Todos mesmo: de quem se envolverá  de forma direta ou indiretamente.

Além dos pais, há os padrinhos (os colaboradores indiretos referidos acima), que chegam para ajudar no cuidado e manutenção do site; e há, também, o pessoal preocupado com quem se beneficiaria com seu advento. Em meios militantes, costuma-se fazer as perguntas: “A quem serve?” “Quem está por trás disso?” “Quem está ganhando com isso?” Estes, certamente, os há em maior número. Aos maledicentes, apressadinhos por lançar de antemão a sombra da desconfiança em tão nobre intento, idealizado com tanto carinho, desde já, o aviso: a luz vencerá.

Em terra tão acostumada ao “toma lá, dá cá”, qualquer iniciativa cidadã, sem a intenção de levar “um qualquer”, sem pretensão a uma eleição, ou de apoiar (ou queimar) um politiqueiro local, não costuma ser levada a sério. Por ironia da vida, essa brincante, em quase cem por cento dos casos quem precisa de provar sua seriedade são justamente os políticos demagogos, disputantes de um determinado curral, e a claque  oportunista, por vezes vira-casaca, que os parasita.

Logo, como explicar a atuação do aguerrido e incansável  diria eu, onipresente  Adriano Naval, um dos sobreviventes da chacina da Posse, que renasceu, e hoje, sem chorumelas vitimistas, nem se aproveitando da situação para fundar uma Ong “em prol dos que sofrem”, é o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, sem levar nisso um centavo sequer? Como explicar essa brava dedicação nos termos do oportunismo?

Sem mais delongas, este textículo vem por dois motivos — e é preciso que fique claro desde o início: 1 – Por não haver motivos. Cidadão que é cidadão não precisa de motivos – nem de afagos – para exercer seu papel de cidadão. A cidadania é o motivo (e um dever, viu?). 2 – Em resposta a uma suspeita já lançada contra nossa iniciativa e que certamente voltará, por meio de outras bocas e línguas – línguas dos linguarudos, digo.

Manifesto e sabido através de mim da elaboração do site da Tribuna, um certo senhor, a quem reservo algum respeito, perguntou-me se se tratava de mais uma pelegagem, e a quem estaríamos servindo (ô, gente boba!). Não se trata de devolver uma resposta mal-humorada ao ilustre amigo, e, sim, de, aproveitando-me da oportunidade, esclarecer, a ele e aos demais, o que pensamos e o que esperamos do site.

Tribuna vem em boa hora, e vem cumprir um papel importante em Nova Iguaçu (cidade que vez ou outra também é designada por Baixada Fluminense). Há muitos sites e blogues pessoais que se ocupam do tema, todos eles dedicados a somente noticiar o que se passa na região,  principalmente no âmbito da política e da polícia. Toda informação que o iguaçuano tem sobre o que aqui se passa vem de fragmentos de notícias desses blogues e sites e das notinhas que a Berenice Seara ou o Elizeu Pires nos reservam, basicamente.

Não tinha aparecido ainda nada, nem ninguém, que se aplicasse a pensar e discutir Nova Iguaçu e que buscasse os meios de fazer chegar à sociedade os frutos das discussões e reflexões que costumam haver somente em círculos fechados de interessados. Que fizesse um esforço para não apenas noticiar alguns fatos políticos ou policiais, mas, na medida do possível, ir além deles. Pois não há ação humana sem um humano que a acione, e toda ação humana só é apreendida levando em conta sua intencionalidade e significação.

Um arrastão no calçadão de Nova Iguaçu nos fala algo, por certo, a respeito da violência, mas quantos podem ver nessa ação uma cadeia de negligências por parte do poder público? Quantos atinam para o número de ocorrências desse vandalismo? Quantos o tomam por um ato de vandalismo gratuito, quando o motivo talvez seja uma represália pela morte de um bandido? Quantos mais podem perceber um esvaziamento dos valores morais ou a fragmentação das famílias? Estas poucas (e insuficientes) perguntas dão-nos uma amostra da carência de iniciativas e veículos que se preocupem em, fornecendo algumas análises da situação, colocar o cidadão diante de si e fazê-lo enxergar-se e enxergar melhor sua própria sociedade  e a relação que há entre ela e o governo – entre outras coisas.

Tribuna tem como função primordial colocar-se como um instrumento da sociedade iguaçuana, a fim de se tornar sua porta-voz e espelho, refletindo-a e fazendo ecoar em toda região os problemas tão caros para quem vive aqui. Também desejamos encorajar o cidadão a dedicar um pouco do seu tempo a exercer sua cidadania para além do período eleitoral. Fazê-lo entender que o preço de sua liberdade é a eterna vigilância, como disse Thomas Jefferson, mas que, por falta de vigilância, podemos perder – e perdemos – mais do que a liberdade.

Nós temos, e sempre tivemos, os governantes que merecemos. É preciso reconhecer isso. Está na hora de merecermos um pouco mais, não é mesmo? Apenas pagar nossos impostos e esperar em troca disso um serviço “público, gratuito e de qualidade” (risos para o “gratuito”) é acreditar na honestidade da raposa em administrar o galinheiro. O resultado dessa confiança tem sido desastroso para nós, fluminenses, e o preço tem saído cada vez mais caro.

Nossa Senhora da Piedade do Iguassú, rogai por nós!

Por fim, aproveitamos, também, a oportunidade para afirmar que todo conteúdo publicado neste sítio da Tribuna Iguaçuana (exceto aquelas notícias sem fonte, textos plagiados, comentários indevidos, erros gramaticais infantis, polêmicas desnecessárias, enviesamento ideológico, indiretas insinuosas, alguns memes grotescos, apropriação de conteúdos alheios, comentários com intenções escusas, pesquisas de procedência duvidosa, etc) são absolutamente verdadeiros e dignos de nossa confiança.

Sérvulo Pimentel é bacharel em Letras

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