A mordaça do Estado Laico e a covardia dos amordaçados

 

 

 

Ontem, dia cinco de outubro de dois mil e dezessete, o jornal O Dia noticiou que, após recentes ataques por parte de evangélicos (eles não dizem que são os traficantes, estes são contemplados por sua agenda) contra terreiros de macumba, alguns dos quais na Baixada Fluminense, um grupo de macumbeiros escreveu uma carta e a levou ao sr. Marcelo Freixo (PSOL), deputado estadual. A carta contém dez pedidos, feitos carinhosamente, para evitar que haja novos ataques contra os de sua fé. É um avanço da questão no Rio de Janeiro. Não, não me refiro às reivindicações, mas à evolução da consciência de que Imagine ou passeatas pela paz, com soltura de pombas brancas peidorreiras, não surtem muito efeito. Estou com eles.

Um dos pedidos é o fim – isto mesmo: fim –  das igrejas nos presídios.

Intolerância religiosa? Claro que não, isto é coisa de evangélico fundamentalista, alienado e teleguiado pelo Silas Malafaia. Aqui é liberdade de expressão, é reivindicação de direitos.

Vocês se lembram do ex-deputado Roberto Jefferson falando que os presídios são disputads por duas grandes facções, de um lado os evangélicos, representados, sobretudo pela Igreja Universal; de outro, os psolistas?

Os evangélicos, além de alimento físico, levam aos prisioneiros o alimento espiritual e a mensagem de uma vida nova, restaurada. Psolistas, por outro lado, alimentam o rancor, imprimem o ódio no coração de quem já perdeu as esperanças e ensinam-lhes uma versão adaptada da luta de classes que transfere a culpa de todos os crimes do autor para a sociedade – mais especificamente a classe privilegiada e opressora.

Agora, pensem bem: saindo os evangélicos de jogada, que grupo passará a ter o monopólio das consciências dentro dos presídios? Uma pista: o Comando Vermelho nasceu de uma situação parecida.

Esse embate, nos presídios, entre as idéias esquerdistas revolucionárias e as idéias cristãs que formaram nossa sociedade é o que se trava em todos os lugares e em todas as esferas hoje em dia, mas o cristão tem se deixado enganar pelo botãozinho do “estado laico” que é sempre acionado para calar sua voz. E cala.

E mais: o cristão sempre vê-se numa sinuca de bico quando de mais uma notícia (e são tantas notícias!) envolvendo um caso – ou um suposto caso – de político cristão envolvido em algum novo escândalo ou picuinha. Então ele é paralisado ou dado a falar abobrinhas por não saber dar uma resposta sobre a participação ou não de cristãos na política.

Do ponto de vista moral, qualquer seguimento cristão é infinitamente superior a tudo o que a esquerda faz, e está aí até a escandalosa Igreja Universal do Reino de Deus capaz de ajudar a regenerar vidas onde quase ninguém mais vai – em muitos casos, nem a própria família. Do ponto de vista político, bem, não há vácuo no poder: se saem as idéiais cristãs de jogada, restam, quase soberanas, as idéias esquerdistas e sua agenda que só avança às custas, em boa parte, da ignorância ou covardia de seus adversários.

A grande midia, que sempre fala em intolerância religiosa em casos de ações de evangélicos contra macumbeiros, já escolheu seu lado: é justo o fim de igrejas dentro dos presídios porque evangélicos ameaçam a paz social. E aí, evangélico (ou cristão? Que confusão!) que nada mais faz por sua fé do que ir à igreja no domingo e vez ou outra dar o dízimo: vai deixar seus irmãos serem escorraçados por medo de parecer você também um “fundamentalista” (que termo mais fora de lugar!) radical evangélico, quase um terrorista explosivo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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