Primeiro Ano de Rogério Lisboa: Saúde

Prefeito pensando no que fazer com o Hospital da Posse 

Partindo do princípio de que

 “Cada morador de Nova Iguaçu deve ter o direito de influir nos destinos do município e colaborar para atingirmos juntos os objetivos que traçamos…”,

conforme lê-se logo no início do Plano de Governo de Rogério Lisboa, apresentado em sua campanha por ocasião das eleições municipais de 2016, é que, como iguaçuano, morador e cidadão de Nova Iguaçu, venho analisar o que foi o primeiro ano de mandato do ora prefeito Rogério Martins Lisboa.

Assim, resolvi, ao longo do texto, dispor promessas de campanha e um comentário em seguida sobre a situação da Saúde de Nova Iguaçu nesse primeiro ano de mandato do sr. Lisboa.

 

Saúde

  • Instalar em cada um dos 9 (nove) centros administrativos uma unidade de referencia para casos complexos
  • Capacitar os Postos de Saúde dos bairros para a realização de exames médicos
  • Ampliar o atendimento das Unidades de Saúde para os finais de semana
  • Garantir a distribuição de receios em casa para os doentes crônicos.
  • Criar um cartão para atendimento na Rede Municipal de Saúde que garanta acesso as informações de cada paciente através de um sistema informatizado disponível para toda a rede
  • Garantir e melhorar o acesso da população a serviços de qualidade, com equidade e em tempo adequado ao atendimento das necessidades de saúde, mediante aprimoramento da política de atenção básica e da atenção especializada
  • Promover a atenção integral à saúde da mulher e da criança com ênfase nas áreas e populações de maior vulnerabilidade
  • Criar o Comitê Municipal de Prevenção ao Uso de Drogas, Reinserção Social e Atenção ao Usuário e Família, incluindo parcerias com entidades civis organizadas
  • Fortalecer a rede de saúde mental.
  • Garantir a atenção integral à saúde da pessoa idosa e dos portadores de doenças crônicas e estímulo ao envelhecimento ativo
  • Reduzir os riscos e agravos à saúde da população, por meio das ações de promoção e vigilância em saúde, valorizando a atuação dos agentes de saúde e agentes de endemia
  • Garantir a assistência farmacêutica no âmbito do SUS
  • Aprimorar a regulação e a fiscalização da saúde suplementar, com articulação da relação público-privado, gerando maior racionalidade e qualidade
  • Contribuir à adequada formação, alocação, qualificação, valorização e democratização das relações do trabalho dos profissionais de saúde, com a ampla participação da categoria
  • Participar diretamente da implementação de um novo modelo de gestão e instrumentos de relação federativa, com centralidade na garantia do acesso, gestão participativa com foco em resultados, participação social e financiamento estável
  • Qualificar os instrumentos de execução direta, com geração de ganhos de produtividade e eficiência para o SUS
  • Gerenciar a qualidade da atenção à saúde tendo como proposta básica a avaliação de desempenho de serviços e prestadores de serviços de saúde
  • Estabelecer critérios para garantir a gestão de representantes da população na administração das unidades básicas de saúde
  • Criar equipes de atendimento médico, fisioterápico e social domiciliar para prestar serviços aos pacientes idosos com dificuldade de locomoção

 

Comentário

A cidade de Nova Iguaçu contém um número razoável de Unidades Básicas de Saúde. Muitas foram reformadas e outras criadas no último governo e, hoje, algumas encontram-se fechadas.

Na teoria o município até teria uma boa cobertura dessa assistência básica (Clínicas da Família e PSF); na prática, existe um trabalho precário de agentes de saúde, enfermeiros e médicos.

Falemos especificamente do médico, que chega a ser o ponto mais crítico desta situação. Nenhum dos contratados ou concursados cumpre a carga horária de 40h/semana. Os vencimentos são péssimos fazendo com que o empregador em geral deixe que o médico faça seu atendimento em uma manhã e uma tarde. Superlota a agenda para criar um número alto de atendimentos, caindo, assim, muito a qualidade do atendimento.

Outro macete para gerar atendimentos são as “carimbadas”: trocas de receitas e períodos de exames que o médico carimba sem consultar o paciente, e, no entanto, entra como atendimento. Essa prática estende-se também para os contratados e concursados dos ambulatórios, que têm carga horária de 20h/semana e fazem no máximo 8h/semana.

Outro pronto crítico no município são os exames complementares.

Alguns laboratórios fecharam seu atendimento ao SUS e outros fazem uma operação tartaruga, dando poucas senhas para exame por dia. Soube informalmente de colegas do setor que os laboratórios que prestam serviço estão com 5-7 meses de atraso nos repasses.

Exames de baixa complexidade como eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrassom, eletroencefalograma, teste ergométrico, mapa, holter, etc. são uma verdadeira calamidade. Pacientes levam meses ou mais de ano para realizarem alguns desses exames no município. Quando não tem, mandam para regulação do estado, que é super lotada, ou mandam para fazerem em outro município.

O número de clínicas na cidade é outro problema. Há pouquíssimas; e, para alguns exames, não há nenhuma clínica conveniada.

Os principais motivos: tabela do SUS defasada e atrasos de repasse.

Em relação ao valor, o município pode justificar pagar a mais, caso não tenha o serviço; no entanto, prefere ficar sem quem ofereça os exames e mandar o paciente para fila.

Exames de alta complexidade são também uma calamidade. As clínicas Dimagem e Guanabara, que realizavam exames como tomografia e ressonância magnética, além de exames nucleares como cintilografia, romperam seus convênios e, hoje, o paciente também depende do estado. Resultado: mais filas intermináveis.

O município contava com 5 unidades de pronto atendimento.

No HGNI, de Comendador Soares (UPA), Vila de Cava, Miguel Couto, Austin e Guandu. Destas, apenas HGNI, UPA de Comendador Soares e Vila de Cava estão funcionando atualmente.

Existem ainda a UPA do Bairro Botafogo e a UPA de Cabuçu, que estão funcionando, porém, são administradas pelo estado.

O SAMU de Nova Iguaçu, que deveria operar com duas ambulâncias avançadas e 8 básicas, tem operado com uma avançada e uma ou duas básicas, no máximo. Na gestão anterior foi um serviço que melhorou muito e operava com uma ambulância avançada e sete básicas.

As esperas por cirurgias eletivas são um martírio também. O único centro cirúrgico público de Nova Iguaçu é do Hospital da Posse, que mal suporta sua demanda de pacientes emergenciais.

A vigilância epidemiológica do município está às traças. As doenças estão subnotificadas e as estratégias de controle de epidemias não têm a mínima chance de funcionar. Tomemos como exemplo, ainda que tenha sido já em 2018, o caso da febre amarela, em relação ao qual o município não tinha se manifestado e que, tanto o secretário de Meio Ambiente, Fernando Cid, e o ex-vereador e, hoje, funcionário privilegiado da Câmara dos Vereadores, Marcelinho das Crianças, usaram seus redes sociais para afirmarem justamente o contrário: que não havia surto algum de febre amarela e que a situação estava sob controle. Eu, um mero cidadão, soube antes da prefeitura e antecipei, em minha página no Facebook, sobre a possibilidade de termos um surto de febre amarela na cidade. Depois de um dia de atraso a Prefeitura finalmente se manifestou oficialmente. Acho que deu para dar uma ideia geral do nosso péssimo serviço de saúde pública.

Resumindo: neste primeiro ano de mandato, não há, ainda, nenhuma novidade implementada no governo Rogério Lisboa. Pior; serviços essenciais foram encerrados. Sem nenhuma dúvida, na saúde. a cidade retrocedeu, apesar dos “valores recebidos do Fundo Nacional de Saúde, que são maiores que os valores repassados ao município de Duque de Caxias, cidade que tem um universo populacional maior. Entre 1º de janeiro e o dia de ontem a Prefeitura duquecaxiense havia recebido R$ 67.051.532,26 do FNS e a cidade governada por Rogério R$ 86.113.009,31, sem contar os R$ 101.461.908,11 de repasses intergovernamentais”.

Pontos positivos

  • Os salários estão sendo pagos em dia, tanto para os concursados quanto para os contratados. Na verdade, estão sendo até adiantados e foi quitada a dívida do governo passado.
  • Impediu o fechamento e a saída da AACD de Nova Iguaçu.

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